Medieval Legends 2013
 
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 Cidade de Khyxyx

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Lorde Doocy
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MensagemAssunto: Cidade de Khyxyx   Ter Jul 16, 2013 11:26 pm

Khyxyx (provavelmente alguma palavra nativa da própria cultura que forma a civilização) é a primeira e única cidade firmemente estebecida fora do UK como posto avançado para maior conhecimento das terras externas à ilha pelas quais vem passando por reformas tão bruscas quanto quaisquer outras na história. Foi construída longe de quaisquer habitações e cidades pertencentes quas Vikings para não interferí-los, em um amontoado de rochas e penhascos numa das costas mais desoladas da Península Escandinava até então achadas - o centro urbano em si é localizado numa vasta planície por dentre os dois relevos. Pode e até é bastante acessível aos navios mercantes provindos do UK, mas sua localização certa, junto às coordenadas usadas para chegar até lá, é desconhecida para outras pessoas. Na verdade, nasceu esta cidade com um único intuito: ter para si grande influência local para no futuro começarem uma certa dominância da região. Novamente, sem interferir com os costumes nativos. Entretanto, esta é uma cidade formada para residentes permanentes. A população chega aos 110 mil, um pouco menos que Londres. E assim como Londres - há um rio cortando a cidade.

Seis distritos ou divisões são conhecidas. A primeira divisão está à beira do rio, e é onde a maior concentração de edificações pode ser observada. Algumas alcançam doze andares - praticamente as maiores. Outras um pouco mais, mas fora esses prédios, casas são a mais provável constante, intercaladas com tavernas, bares, comércio bem estabelecido em umas áreas destinadas ao povo, mas a indústria, ou empresa, ainda parece ser ausente (de fato só existirá dentro dos próximos séculos, mas provavelmente antes da Revolução Industrial dos Humanos). A segunda divisão inclui áreas de livre acesso à população com parques e recreações. Provavelmente vive-se muito bem pela cidade, provavelmente não existe uma documentação muito grande quanto doenças porque a maioria aparentemente parece não afetar as pessoas que por aqui vivem - e por todos os territórios espalhados do UK. Mas é na terceira divisão que as coisas realmente se revolucionaram. Contrário ao sistema bem pacato e simples de produção artesanal, vê-se os primeiríssimos passos em direção ao que um dia será conhecido por indústria.

Isto está localizado por vários prédios pequenos espalhados dentre as habitações e dá a base principal para as pessoas sobreviverem. A quarta divisão está voltada ao setor que rege uma economia interna provavelmente mais avançada que todas as cidades juntas. E não é para menos, já que apenas os mais abastados monetariamente conseguem viver e fazer suas respectivas vidas por aqui. A quinta divisão da cidade é menos definida, talvez se misture em funções entre a primeira e terceira, mas com adições leves às restrições. A maior parte dos que aqui vivem estão sujeitos à segurança imensa proveniente do UK em vários sentidos. E finalmente a sexta divisão urbana, constituída por ruas sempre polidas e bem cuidadas para conferir um visual melhor às pessoas que chegam até o local. Não há estradas de terra. Nem mesmo ruas. Nem mesmo vielas ou becos. Provavelmente há uma responsabilidade imensa por detrás de quem governa o centro urbano para mantê-lo aos padrões nacionais...
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Lyyn D. Daqn
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MensagemAssunto: Re: Cidade de Khyxyx   Qua Jul 17, 2013 11:56 pm

Khyxyx, era a primeira cidade construída pelos governantes do UK pelas terras Escandinavas, mas não se tratava de uma invasão progressiva, e sim suporte para os planos que estavam por vir. Como aquela cidade provavelmente havia crescido muito, possuía poucas chances de ser localizada pela geografia isolada da planície pelas quais havia sido fundada e era protegida por todos os lados através dum sistema defensor mais defensivo do que simples muralhas em pedra erguidas aos arredores do centro urbano, as chances de atacá-la também eram minúsculas. Provavelmente estava a Dinastia satisfeita - porque as conquistas para fora das Terras do Norte e Terras do Sul da Ilha propriamente dita haviam pacificamente começado. Os Vikings não seriam afetados. Nenhuma tribo que habitasse aquela península seria afetada para dizer verdade, porque os interesses não eram destruir culturas, mas sim deixá-las LONGE das influências do Sul.
O dia estava limpo aos arredores da cidade, havia certas nuvens, mas não havia previsão para uma chuva cair sobre Khyxyx - como geralmente acontecia - por aquela ser uma das regiões mais secas dentro da Península Escandinava - EMBORA fosse localizada às margens do Oceano Atlântico Norte. Um Mensageiro chamado Harkas Coperfield estava apenas começando sua jornada pelas terras da cidade, havia sido enviado diretamente da Escócia. Deveria informar Doocy em pessoa sobre as andanças políticas que ocorriam e sobre a fixação definitiva dum Parlamento pelas Terras Norte da ilha Inglesa.
Harkas caminhava pacientemente pelas ruas, que eram exemplares. Não havia até então tropeçado numa pedrinha solta sequer, e o pavimento era mais liso do que uma folha de papel. Deviam polí-las pelo menos cinco vezes por ano. Graças aos edifícios mais altos - uma tecnologia conseguida apenas porque os Ingleses agora não mais usavam rochas e materiais não consolidados para construir edificações - o Sol mal podia ser visto. Khyxyx sim, aparentemente possuía mais sombras que até mesmo Londres.

O Mensageiro possuía várias cartas consigo. Uma delas mostrava as divisões atuais dos territórios prestes a serem unificados, embora ainda continuassem a serem chamados de Escócia e Inglaterra SIM. Outro mapa mostrava os principais avanços terrestres feitos por caravanas exploratórias, provavelmente para estabelecerem mais pontos suscetíveis a fundações de futuras cidades. E continha todas as posições possíveis dos Feudos sabidos por existirem não apenas dentro dos Campos, mas Planícies e parte das Florestas. Muito mais aparentava ser trazido também - várias cartas - todas em uma mochila de couro - couro feito à partir de peles de ursos ornados às peles de lobos.
Podia-se até dizer que Harkas estava carregado de informações a serem dadas e torcia para que elas ainda fossem verdadeiras. Ficou alguns dias em alto mar, provavelmente uma semana ao máximo, mas era tempo suficiente para muitas coisas ocorrerem. Ficou de olho em quaisquer notícias. Antenou-se. Até mesmo perguntou aos demais se sabiam dos fatos atuais que se passavam pelo UK propriamente dito, MAS foi negado. Então confiava muito mais nas escrituras a serem apresentadas que quaisquer outras fontes.
Havia acabado de sair de uma lojinha de alimentos. Estava com barriga cheia, mas sabia que Doocy provavelmente JAMAIS se sentiria farto de informações e seu apetite por elas sempre seria aumentado. O governante de facto era ele. Ele que havia começado a fazer uma organização política, geográfica e social pelo Reino Unido, ele assumia direito de ser o Monarca e realmente ERA. Era nada mais, nada menos que o décimo terceiro.

Cruzou Harkas uma pequena esquina adjacente aos prédios que beiravam uma série de afluentes do lago principal. Viu-se diretamente sobre uma ponte - ponte movimentada - com dezenas de veículos (provavelmente charretes ou coisas do tipo) se movendo para lá e para cá. Doocy morava ao final daquela ponte numa das casa mais nobres da cidade no Marco Zero da cidade. Bastava seguir em frente e procurá-lo.
Algumas pessoas que passavam ao lado do Mensageiro às vezes o observavem com certa curiosidade. Era RARO ver uma pessoa com tantas cartas e tantos mapas vagando por ali. Era ainda MAIS raro observar mensageiros diretamente enviados para falar com Doocy - mas ele precisava saber do que fazia Lyyn em suas terras para tomar as melhores, ou as piores, providências.
Permaneceu ele caminhando. Apenas queria chegar. Ignorava quaisquer curiosos, porque precisava se manter concentrado para efetuar seu trabalho a tempo, ou o Monarca poderia até mesmo matá-lo por incompetência (o que não era realmente muito difícil de ocorrer - pelo menos cinquenta já haviam morrido declarados incompetentes nas mãos do implacável Imperador Doocy - mas as mortes eram justificáveis).
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MensagemAssunto: Re: Cidade de Khyxyx   Qui Jul 18, 2013 11:13 pm

Harkas encontrou uma cidade movimentada e avançada para sua época, com todas as comodidades raramente vistas em centros urbanos menores e/ou fora da ilha britânica propriamente dita. Lógico que isso não a impedia de crescer aos poucos a cada ano que se passava, mas o isolacionismo das outras cidades só podia significar uma coisa: ela se destacaria muito em breve pelo maior centro por todo o território controlado pelo Reino Unido a contar Londres, e isso geraria revanches ainda maiores entre as duas cidades - sem - porém - possibilidades de guerra entre ambas porque "se toleravam" e precisavam se aquietar umas às outras para não destruir a economia do país numa bela guerra interna com prejuízos inestimáveis a ambos os lados. Enquanto enriquecia, investia em si mesma. Expandia centenas de metros todos os anos em todas as direções possíveis e a população apenas crescia explosiva, mas controladamente. Projetava-se 300 mil habitantes por fins dos anos 760, 600 mil por volta dos anos 790 e estrondosos 1 milhão chegando em 820. Esta facilmente seria a maior cidade da região, mas certamente NÃO rivalizaria a hegemonia econômica contida por Londres pelo menos, aquela cidade tinha muito mais contatos diretos e investimentos.

Entretanto, o Mensageiro se viu num mundo organizado. Eram pouco mais de 100 mil - e uns quebrados - habitando a zona. As ruas eram tratadas como se fossem jóias estéticas para atrair mais investidores próximos. Embora fosse habitada cem por cento apenas por uma espécie ligeiramente diferente da raça Humana - a espécie pelas quais pertenciam os membros da Dinastia governante local e todos os seus políticos, sucessores, acessores, legisladores e tudo mais, NÃO havia revanche contra Humanos - embora, mesmo assim, a preferência era permanecerem separados. As charretes que passavam pelas ruas não só eram movidas por cavalos. Elas possuíam algum tipo bem rudimentar de locomoção um tanto própria, aquele era o começo mais básico das futuras locomoções que um dia iriam tomar conta não apenas das ruas, mas dos CÉUS acima da cidade. As pessoas não deram trégua: continuaram olhando. Mensageiros eram relativamente raros por aquelas terras.

Sim, virou na rua certa após deixar a ponte. Porém aparentemente não tinha informação - ou quase não tinha - de onde aproximadamente Doocy residia; o que podia ver eram só edificações geralmente mais altas que as de quaisquer outras cidades, bem aquelas que tampavam a iluminação solar e requeriam lampiões acesos pelas ruas todas as noites. Em QUAL dos edifícios e em QUAL dos andares ele morava? (A resposta certa era o prédio à esquerda da rua, última construção ao lado dum morrinho com vegetações arbóreas, no último (sétemo) andar). Com poucas pessoas passando por ali àquela hora, seria mais ou menos difícil acertar corretamente aonde Doocy residia e renderia esforços pessoais por parte daquele homem, provavelmente cansado após pegar dias de viagem em alto mar, exaurido após precisar caminhar certo tempo até atingir o centro urbano propriamente dito.
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Lyyn D. Daqn
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MensagemAssunto: Re: Cidade de Khyxyx   Sab Jul 20, 2013 1:22 am

Eis que o Mensageiro pausou imediatamente ao atingir a rua certa, mas confusa de ser desbravada graças aos edifícios um pouco altos. Para piorar, havia luz só pelas ruas, o restante das construções - com excessões raríssimas - permanecia escuro e era quase impossível discernir onde morava Doocy por aquela cidade, mas segundo o que ele sabia, era perto do morro. Tentaria a primeira edificação ao lado esquerdo. E foi para lá que caminhou em passos extremamente curtos, não esperando chegar em pelo menos alguns vários minutos. Tossiu, havia pego uma espécie de tosse graças à mudança de temperatura brusca demais pela região, mas se recomporia rápido. Estava arrumando jeitos para se tratar, usava até mesmo plantas medicinais. Sem muito efeito, mas persistia a usá-las por obcessão. Sua espada e machado já pesavam. Era quase hora de sentar e partir para um descanso não meio à rua, mas numa das calçadas em pedras igualmente polidas que permeavam os edifícios.
Ficaria tarde, ele sabia. Mas o que poderia fazer se estava mal aguentando? Sentou-se. E ficou atento - aquela região PODERIA ter certo risco de ladrões pela noite, ainda que só a civilização dele morasse por ali, ela não era perfeita. A taxa de criminalidade parecia baixa, mas quando ocorria, eram os piores crimes com os piores assassinatos possíveis. NADA bom para uma pessoa sozinha como Harkas. Sacou a espada, deixou aquela arma ao lado do corpo e ao alcance. Deixou o escudo igualmente próximo, pouco se sabia do que seria presenciado dentro dos próximos minutos. Estendem ambas as pernas, espreguiçou, viu que as costas nem estalaram, mas rugiram. Provavelmente estavam quase deslocadas, e a dor provinha daquele desconforto. Desconforto de carregar a mala de cartas e mapas sem muito cuidado. Tanto que ele era demasiadamente corcunda.
Tudo o que evitaria, com certeza, estava em evitar pegar no sono. Se dormisse poderia ter as coisas assaltadas sem sequer perceber. Mas sentia-se seguro ao perceber que estava à beira de uma construção mal iluminada, pouquíssimas pessoas perceberiam sua presença ali e ladrões, geralmente esquivos, nem perderiam tempo tentando enxergar alguma vítima naquela penumbra-quase-sombra. Baixo, suspirou. Baixo, resmungou alguma espécie de monólogo consigo mesmo. Em breve seguiria rumo à casa do Lorde Supremo - embora duvidasse um pouco sobre sua presença ali por aquela semana - que seria justo a semana do Conselhoe estar em Londres para tratar de assuntos importantes. Harkas passou as mãos na barba bem feita mas um pouco crescida e assim permaneceu para passar suas dores de costas, que eram praticamente insuportáveis.

Olhou para o alto. Via-se uma placa acima da construção pelas quais ele estava, mas não era possível ler qualquer coisa escrita por ela graças à escuridão. Aparentemente tratava-se dum prédio residencial qualquer, um com uma das maiores capacidades habitacionais da cidade. Era chique. Não o deixaria descansar lá dentro. Apenas conhecidos, estranhos eram mantidos para fora por questões de segurança - e mesmo assim - ladrões puderam - umas boas vezes - passar pelas portas reforçadas, tendo acesso ao interior dos aptos - roubando uma vasta gama de pertences pessoais, um verdadeiro prejuízo aos residentes. Porém aquela noite, pelo menos, deveria ser diferente. Sem ladrões.
Olhou para as estrelas. Elas brilhavam feito não sei o que, e pelo menos dois planetinhas (Marte e Júpiter talvez) brilhavam forte pelos céus. Eram os únicos corpos celestes fortes o suficiente para serem identificados por suas cores, e Harkas sabia muito bem disso por ter alguns amigos astrônomos. Como era um homem de pensamentos livres, logo pensou como as superfícies daqueles corpos celes poderiam ser: se eram iguais a da Terra, se não - e se não, como elas seriam. (Impossível saber, o Telescópio seria inventado apenas mais para frente. Quase MIL anos mais para frente no caso dos Humanos, apenas décadas no caso da outra espécie). Fechou seus olhos involuntariamente, mas não estava dormindo e não gostaria de pegar no sono em plena rua.
Tinha esperanças de que ninguém, absolutamente NINGUÉM, chegaria de sopetão para deixá-lo apavorado e espantado. Harkas se tornou assim após sofrer danos à sua face por uma espécie de urso muito maior e mais agressivo que as espécies existentes fora da ilha que representava o UK. Tinha pavor por animais. Tinha pavor por viajar a sós. Viagens? Só se fosse a locais próximos. E que não passassem pelas florestas, muito menos campos e pelas "savanas" Inglesas.
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MensagemAssunto: Re: Cidade de Khyxyx   Dom Jul 21, 2013 1:06 am

Um pequeníssimo barulho foi escutado pelas proximidades, mas definitivamente, ele era animal e nada tinha a ver com pessoas conversando. Muito menos alguma forma de crime contra quaisquer edifícios, o que, pelo menos, deve ter deixado Harkas bastante calmo e aliviado quanto aquele aspecto. A placa acima da sua cabeça, se estivesse claro, poderia-se ler "Hospedagem": mas uma hospedagem destinada apenas àqueles que provinham da massa principal de terra, possuíam dinheiro e estavam planejando permanecer alguns dias viajando pelo menos. A porta era construída com madeira nativa da região. E continha uma ou duas camadas incolores de vidro, então o Mensageiro pode muito bem ver as coisas que se passavam dentro daquele estabelecimento sem maiores problemas. Aparentemente - assim como quaisquer hotéis pelo UK - havia um sistema. E muitos atendentes. Fora que... Nada mais que aquilo poderia ser julgado.

Os sons externos animais permaneceram e se aproximavam com rapidez. Provavelmente o homem deve ter percebido que animais cruzariam facilmente as barreiras mais externas da cidade em direção às ruas mais afastadas apenas porque era rodeada, em alguns lugares específicos, por matas densas e fechadas. Era impossível enxergar qual criatura poderia ser - a falta de luz graças ao final do dia e chegada da noite deixou a zona logo acima das ruas tão escura quanto carvão. Pessoas esporadicamente passavam por ali conversando - e nem mesmo elas podiam ser uma intimidação às possíveis criaturas que andavam até a direção de Harkas, provavelmente guiadas até ele graças a algum alimento dentro da bolsa de couro. Mas eram diferentes de lobos pelo menos, e não aparentavam ser ursos - não adultos - porque os sons pareciam finos demais.

Doocy mora no prédio a sua direita, então basta apenas se levantar e correr em direção à porta semi-aberta da recepção. Por ela, Harkas provavelmente viu pouca ou nenhumíssima movimentação, as pessoas naquele edifício costumavam ou dormir cedo, ou entrar para as casas o quanto antes. Eram em sua maioria senhores. Não haviam jovens. O sistema com relação a vida por ali parecia diferente. Pela iluminação que estaria emanando dali, pode-se perceber que existiam várias decorações internas provavelmente estavam distribuídas ao gosto do administrador atual daquele prédio. Fora isso, é quase impossível saber quais pessoas provavelmente habitariam em questões de status social, mas, do ponto de vista em que Doocy mantinha apartamento por ali, apenas a Altíssima da Altíssima Nobreza era capaz de mantê-los.
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Lyyn D. Daqn
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MensagemAssunto: Re: Cidade de Khyxyx   Dom Jul 21, 2013 1:11 am

Harkas recostou-se em uma parede ao final da rua, praticamente junto aos primeiros resquícios de árvores que começariam o pequeno morro ao final do último prédio. Estava quase dormindo, o cansaço havia sido desgastante certamente, perambular pelo oceano até chegar a um Porto definitivo naquela cidade era cansativo. Porém, preferiu não dormir tão cedo, ainda mais sob os sons de animais próximos. Quais animais eram ele mal sabia, provavelmente nunca havia escutado aqueles sons antes, mas virou-se ao lado esquerdo. O prédio cujas indicações foram-lhe passadas há várias horas aparentemente estava a sua frente. E estava semi-aberto, significando, em breve, não se poderia mais nem sair, nem entrar das suas dependências. Harkas, é claro, precisou pensar com rapidez se iria permanecer do lado de fora ou se entraria sem medo de se deparar com pessoas bem mais arranjadas e vestidas que ele mesmo. A decisão final foi se levantar, se aproximar e evitar quaisquer animais, por menores e insignificantes que eles fossem. Ratos - podiam ser meros ratos. Colocou aquilo na cabeça e se levantou, com alguns monólogos - já que costumava fazê-los a qualquer momento.
Era claro que a cidade estava basicamente parada àquele momento porque era noite. As zonas comerciantes estavam fechadas. Quaisquer zonas de transporte público - feitos por hora pelas charretes ou quaisquer outros veículos transportados por animais - estavam já "mortos". Não havia nenhuma alma viva. Não havia nenhuma pessoa a ser encontrada, mas Harkas precisava enviá-los os recados e mapas anyway. Falhasse, teria sérios problemas diretos com a Coroa, e seria retirado dos serviços diretos a ela, assim como vários foram por incompetência. Conforme se aproximou da zona de entrada do edifício - sem saber se já haviam tomado nota da sua visita - o coração batia cada vez mais rápido. Os sentidos se aguçavam naturalmente, bem como as maneiras pelas quais ele percebia o mundo a sua volta. Não - não era medo. Apenas ansiedade, que poderia muito bemser controlada. E aliás, deveria ser. Caso contrário, o Mensageiro mal saberia se expressar.
Viu todos os detalhes internos possíveis da recepção daquele edifício com maior nitidez após se aproximar uns poucos metros. Sim, parecia ser sofisticado. Parecia ser um local de confraternização apenas entre os nobres. Entre a classe dominante pela cidade, porque o custo de vida propriamente por ela era superior ao que os plebeus poderiam pagar. Em suma, a cidade era, sem dúvida alguma, o primeiro reduto apenas nobre a existir pelo UK. Sem os plebeus pelo caminho, formava-se uma sociedade não SÓ organizada, mas forte e estável. Harkas passou de mansinho pela porta...

... Apenas para se encontrar meio a um corredor, não haviam salões diretos, muito menos vigias imediatos, o que parecia ser estranho, mas, segundo as regulamentações, era para manter a confiança dos moradores contra violência iminente. Se existiam conversas, eram as pessoas em alguma sala próxima batendo papo a respeito do dia que tiveram. E mais nada. Quaisquer vigias estavam um pouco longe, e não existiam recepcionistas por assim definido, aquilo não era um hotel ou hospedaria, mas sim, edifício residencial. Com interior semi-iluminado apenas pelos lampeões gigantescos dos lados direito e esquerdo, via-se a zona apenas semi-obscurecida, mas com ricos detalhes.
Harkas dobrou os sentidos naturalmente. Ele olhava não apenas para frente, mas para os lados e para trás. Ora ou outra parecia abaixar-se, evitando ser visto pelas pessoas quando se deparava com espaços feitos janelas dentre o corredor. Era difícil estar ali sem ser percebido, mas já que entrou, deveria continuar e retornar seria muito arriscado. Virou para a esquerda, e continuou a ver ninguém. Apenas quadros muito grandes e belos dos dois lados do corredor. Como não existiam mais janelas ali, passou a caminhar normal. E não se preocupou muito com as pessoas conversando.
Preocupou-se apenas quando elas o visse caminhando estranhamente pela entrada do edifício, poderia ser considerado ladrão. Já havia se antecipado para aquilo, já havia algo em mente a dizer se e quando se esbarrasse com os residentes locais. Mas basicamente, Harkas não estava com medo. Ele não precisava temer os outros. Tampouco pensar que seria encarado diretamente, ou certamente, como um ladrão, embora as precauções fossem tomadas antes que alguma consequência ruim ocorresse.

Encontrou-se com uma única escadaria, e precisava passar por ela (provavelmente) caso quisesse subir em direção aos andares superiores. Aparentemente não existiam falas de local algum por ali, as pessoas provavelmente apenas dormiam e ninguém por vontade própria espontânea desceria para nada ou apenas caminhar. O começo da escadaria foi claramente marcado pelos menores, mas igualmente luminosos, lampiões dispostos logo acima de suas cabeças. Daquele ponto em diante seria mais ou menos fácil subir, foi só preciso passar por dois corredores sem guardas até que chegasse aos acessos diretos aos andares. Era perigoso deixar uma construção daquelas abertas, Harkas, sem sequer perceber, havia demonstrado exatamente aquilo aos demais.
Com cautela, começou a subir. Os passos eram mínimos, até porque madeira costumava fazer sons tremendos dependendo da velocidade em que uma pessoa caminhava sobre ela. Evitava a todo custo fazê-las ranger. Evitava fazê-las estalar. Evitava quaisquer sons - por mais que os últimos fossem completamente naturais e ocorressem sem precisar de uma pessoa caminhando para causá-los. Chegou ao primeiro patamar por entre a primeira escadaria, onde suspirou, porque não foi encontrado por ninguém. E ninguém parecia se movimentar. Aos poucos, perdia o medo e ganhava certa coragem, embora não soubesse direito onde Doocy morava e apenas tivesse memorizado o andar pelas quais ele residia e provavelmente estaria ainda acordado fazendo suas coisas.
E recomeçou a subir aquelas escadarias...
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MensagemAssunto: Re: Cidade de Khyxyx   Seg Jul 22, 2013 12:09 am

Aproximou-se da escadas que levavam ao primeiro andar. Provavelmente graças à hora e localização, seria muito improvável ser encontrado por residentes do prédio, até porque eles costumam dormir mais cedo do que muitas pessoas pela cidade. Este fato se repete em grande frequência desde os primeiros bairros apenas nobres terem sido concebidos há sessenta anos pelo menos, e provavelmente por convenção, foi mantido. Harkas, sem problema nenhum, chega aos corredores do primeiro andar. COMO eram apenas dois por andar (dois apartamentos muito grandes por sinal), não havia necessidades de ampliarem aquelas passagens demais. O corredor em si deveria medir dezesseis metros. Era cercado pelas plantas mais raras da região apenas para dar ares nobres. Mas, àquela hora, não foi possível perder muito tempo observando características secundárias porque algum tipo de fala foi, muito bem, escutado do lado esquerdo. Aquela primeira família tinha influências - das grandes - e pretendia apoiar quaisquer movimentos revolucionários que ocorressem no UK. Claro, o Mensageiro mal conseguia escutar nitidamente as coisas proferidas pelas pessoas: eram muito distantes. E as paredes propriamente ditas... Bloqueavam quaisquer frases nítidas de serem escutadas.

Porém, era altamente recomendado a Harkas sair daquele patamar o quanto antes. Não era novidade algumas pessoas naquele andar caminharem pela noite. Provavelmente elas estariam se preparando para aquilo, e se fosse encontrado, poderia ser removido à força do edifício. Eles conheciam bem os que habitavam e os forasteiros. Sabiam quais eram as pessoas residentes. Não toleravam, portanto, quaisquer entradas não-autorizadas graças às quebras das regulamentações locais do edifício, como: pela noite, manter-se todas as portas da entrada fechadas. Se Harkas andar mais um pouco, vai perceber duas portas - todas reforçadas com metais, provavelmente ferro, pintadas com as cores marrons e azul clara. Sim, eram saídas aos patamares inferiores, mas locais desconhecidos pela maioria das pessoas e uma excelente forma de esconderijo caso não dê tempo de subir ao outro andar sem ser visto. Duas placas acima existem. Apenas estão escritas "Passagem 1" e "Passagem 2", sem maiores especificações.

Muita andança pelo segundo andar, e isso podia ser ouvido graças aos pisos conterem madeira. A família de cima era igualmente rica, possuía dezenas de terras pela região, mas, conservadora, preferia segurar as pontas do UK, embora aceitasse revoluções a quaisquer momentos. NÃO podia, entretanto, competir com recursos, dinheiro e posses à Coroa que controlava o país. E o Mensageiro provavelmente pensou o que estariam todos fazendo àquela hora andando para lá e para cá dentro do edifício SE, presumidamente, eram para estarem dormindo há horas. Riscos iminentes? Apenans das pessoas do primeiro andar. E se saíssem, o levariam para fora, alertando seguranças, que deixariam as coisas ainda mais difíceis a ele para entregar a mensagem ao de facto Imperador/Rei/Lorde Supremo daquelas terras.
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Lyyn D. Daqn
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MensagemAssunto: Re: Cidade de Khyxyx   Seg Jul 22, 2013 12:11 am

Harkas, entretanto, era cuidadoso: ele sabia que as pessoas, pelo menos em certos andares, poderiam, ainda estar acordadas, embora não soubesse se poderiam, ou não, sair dos respectivos apartamentos e, de-repente, trombarem com ele. Sim, seria uma catástrofe ser descoberto. Além de perder a oportunidade obrigatória de falar das notícias com o Lorde, seria bem provável dos seguranças desconfiarem, em todos os sentidos, das suas intenções dentro do prédio. Com certeza teria problemas imensos se falhasse ao entregar as mensagens. Mas persistente como sempre foi, procurava não pensar nas desgraças, e sim, nas facilidades que existiam dentro do corredor. As duas portas foram vistas parcialmente, as escrituras nas placas em madeira não foram lidas - e as cores muito menos foram percebidas por causa da meia-luz dominante àquela hora. As cores, entretanto, poderiam significar várias coisas. Vários aspectos diferentes que, caso analisados cuidadosamente, lhe dariam pistas sobre o que fazer. Harkas estava convicto, porém, duma coisa: elas não estavam trancadas. Poderia passar por ali sem maiores nem menores problemas. Não existiam seguranças, isso era certeza.
Avançou cuidadosamente. Até mesmo diminuiu os passos, poderiam ser escutados pelos seguranças nos níveis mais abaixo. Por mais que tenha se esforçado para escutá-los, ele viu, era impossível graças às maneiras pelas quais as madeiras (e outros materiais) das paredes foram dispostas. Eram trançadas, então permitiam nenhuma passagem de som propriamente reconhecível. Harkas, entretanto, sabia que estavam conversando. Mas se as conversas fossem apenas paralelas ou não, precisaria ele chegar mais perto. NUNCA faria isso - era preciso manter-se escondido. Aproximou-se das duas portas. Não queria abrí-las, talvez fizessem muito barulho.
Também, ouviu perfeitamente os passos acima, chegar ao apartamento de Doocy sem ser visto seria muito difícil, talvez requeriria esconder-se acima do normal apenas porque ele, incomumente, passou sem ser visto pela segurança e ninguém, de fato, sabia sobre a sua presença naquele edifício. Pensava sobre um outro problema: logo, eles fechariam as portas externas. Isso significaria uma coisa, Harkas ficaria preso dentro daquela coisa sem maneiras viáveis de sair, a menos que pulasse uma janela em direção aos morros de fora sem, mais uma vez, ser percebido. Aquilo era sim possível, mas era ao mesmo tempo arriscado demais, então ele precisou orquestrar os pensamentos de fuga o quanto antes - especialmente para não ser visto.


-... E, finalmente, concluímos que ele mora no último andar. Isso é mais do que uma boa péssima notícia. Pelo menos... Com essas pessoas todas andando pra lá e pra cá.

- Eu vou é pular pelas janelas traseiras quando entregar essas coisas para ele. Não quero ser visto...


Sim, tinha consciência de que iria se ferir, embora tivesse dúvidas de qual seria a extensão dos danos. Feriria-se porque provavelmente cairia duma altura igual a dezoito metros. Apenas quatro são precisos para matar uma pessoa, se ela cair de testa. Quem diria dezoito, embora desconhecesse se morreria diretamente graças à construção diferente do corpo. Se morresse, morreria em paz. Teria realizado o trabalho. Se NÃO, ele tentaria sair da cidade e regressar ao castelo de Lyyn mesmo daquele jeito. Mesmo, sim, com as duas pernas quebradas. Sim, estava fazendo apenas os cálculos antecipados do que poderia acontecer. Não que tinha toda a certeza, mas, que aquele andar era alto, ele era, sim. Uma das construções mais imponentes dali, aliás.
Resolveu dar uma pequenina corrida, mas com as pontas dos pés. Quase bateu a cabeça num lampião que estava posto próximo, mas conseguiu desviar-se a tempo e, pelo que aparentava, não havia chamado atenções de terceiros. Ao passar pelas portas dos apartamentos, que eram bem decoradas, ele suspirou. Mas observou que existiam mais e mais escadas e que, sem dúvidas, as possibilidades de pessoas descerem a qualquer hora eram para ser consideradas. Pôs-se a subir. Em ritmo normal, pelo menos, porque aquela coisa de gente caminhando no segundo andar aparentava ser movimentos normais de quem mal havia chegado à própria residência.
Sem suspeitas, Harkas preferiu continuar. Mas anyway, seus sentidos naturalmente foram ativados.
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MensagemAssunto: Re: Cidade de Khyxyx   Seg Jul 22, 2013 11:10 pm

Sem detecções. Correr com as pontas dos pés foi, para Harkas, a melhor das soluções: poucos momentos após chegar às escadas, movimentações intensas no primeiro andar. E sim, eram as pessoas daquele andar que estavam conversando. Provavelmente agora era fácil perceber que estavam conversando coisas corriqueiras da vida, certamente o que elas haviam feito durante aquele dia. Harkas provavelmente havia deixado sua sombra pelas paredes, mas, como elas estavam caminhando na direção oposta, não puderam enxergá-lo nem que se quisessem. Subindo as escadas, que são idênticas às outrora pessadas antes, provavelmente porque os planos da construção eram simétricos, o Mensageiro irá achar outro corredor com uns dezesseis metros, apenas posicionado da maneira contrária ao primeiro. E, sim, mais duas portas exatamente ao meio dos mesmos, por onde lêem-se os números 201/202, como em qualquer prédio residencial espalhado pela cidade. Quatro ou seis lampiões muito fortes iluminam todo o caminho em direção ao terceiro andar. E é de lá, dali do segundo andar, que as andanças foram ouvidas por Harkas quando enquanto presente no primeiro andar. Elas pararam. As pessoas provavelmente foram dormir. NÃO apresentam ameaça alguma por agora, apenas se acordarem repentinamente.

Não é recomendável correr, correr pelos andares mais altos vai apenas causar mais sons e barulhos que poderiam, em teoria, chamar as atenções de terceiros. Alguns lampiões estão postos próximos à altura máxima pelas quais o Mensageiro em questão possui, mas todo o projeto arquitetônico daqui - como é perceptível por toda a cidade - e por todos os tão veneráveis estabelecimentos comerciais por ela existentes - é designado apenas à civilização. Portas são mais altas, os tetos mais altos. Tudo mais alto para conferir conforto - caso contrário seria um instrumento de tortura viver por ali. Porém, Harkas também viu que existiam três continuidades de escadarias, não duas, até que um mesanino feito em madeira prensada pudesse ser atingido. Àquele ponto, as paredes locais eram quase que ocas para permitir maior ventilação do prédio.

Seis degraus cada escadinha. Seis passos por escada. Mas muito cuidado: elas são bem estreitas, encaracoladas, prontas para deixar alguém descuidado cair. Quando chegar acima, verá outra janela fechada, outras plantas, outros sistemas de fuga caso o local pegue fogo ou seja atacado por ladrões.
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MensagemAssunto: Re: Cidade de Khyxyx   Seg Jul 22, 2013 11:24 pm

Os sentidos "ativos" naturalmente do Mensageiro pareciam suficientes para deixá-lo esperto em todos os sentidos quanto aquelas escadas, e ele viu que elas, de fato, eram encaracoladas, podendo fazê-lo cair, caso ultrapassasse seus limites ou se fosse apressado demais para subí-las. Passou a subir em calma, a sombra que causou antes não foi percebida pelas pessoas saídas dum dos apartamentos do primeiro andar. Harkas não chegou a prestar atenção no que conversavam. Era de pouco ou nenhum interesse a ele: até porque apenas Doocy era seu alvo principal para entregar aquelas coisas todas. Agora, vinha uma pequena dúvida na cabeça: se estaria ele acordado ou dormindo. NÃO - Doocy acostumava dormir tarde. Mas acordava extremamente cedo todos os dias, apenas para certificar-se de que nenhum usurpador havia tomado posse do trono imperial. Disso ele sabia muito bem, então procurou chegar o quanto antes.
Subiu o segundo e terceiro lance de escadas, sem nenhum escorregão, mesmo que, sim, estivesse enxergando praticamente nada a não ser as próprias mãos porque as luzes foram deixadas para trás. E chegou ao patamar acima, onde os sons das pessoas haviam passado. Sem pessoas, sem ameaças, sem perigos, Harkas andou um pouco apressado, um pouco calmo, querendo chegar ao terceiro acesso - que o levaria ao terceiro andar - e ele já percebia que estava alto. Pelo menos seis ou nove metros - se contar a altura da recepção. Passou pelas portas de segurança, eram aparentemente iguais às de baixo - apenas dispostas diferentemente.
Não tempo de olhar para decorações porque não queria, e era um "pedido" dos sentidos. Estava atento àquele ponto, porque chegar imperceptível a um prédio pertencente aos Nobres, especialmente da maneira que ele fez, não aparentava ser para qualquer um e muitos eram pegos. Também pudera. Harkas sempre havia treinado passar despercebido pelas coisas, independente do que elas fossem, e terminou sendo um dos melhores e mais recomendados homens para isso. Fosse ladrão, teria roubado vários sem que eles sequer o percebesse. Preferiu usar tal perícia para trabalhos não sujos, até porque seria preso ou condenado à morte. Não seria muito legal.
Disse consigo mesmo:


-... A bolsa já está pesando.

- Mas, eu não posso desistir. Restam apenas quatro andares. Eu diria que três. Ah, eu vou indo.


Não havia ouvido um ruído sequer provindo do terceiro andar adiante. Era treinado para discernir sons diferentes, e tinha confidência total que estava mais seguro ainda - que podia até mesmo andar - e não seria pego por nenhuma vigilância - nenhum morador - nada. Até porque conhecia a estrutura do prédio. Do terceiro andar adiante, os mais quietos costumavam residir. Mesmo sendo visto, eles não aprontariam alardes. Nem mesmo... Desceriam à recepção para denunciá-lo, porque pelo menos por três vezes já foi visto por aquelas pessoas consideradas mais sérias e nada demais foi presenciado. Mas todo cuidado era pouco, preferia manter "invisibilidade".
E assim persistiu a subir. As condições acima seriam mais propícias a um "stealth" maior e mais planejado. Harkas até mesmo cogitou andar rente às paredes. Quem sabe aquilo o esconderia melhor perante as penumbras comumente criadas abaixo das zonas iluminadas pelos lampiões grandes, mas mesmo assim muito altos, o que deixava espaços muito bem escurecidos a partir de uma certa altura?
Seria engraçado vê-lo engatinhando ou mesmo rastejando pelo chão. Mas... Qualquer coisa para escondê-lo... Será bem vinda.
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MensagemAssunto: Re: Cidade de Khyxyx   Ter Jul 23, 2013 11:36 pm

Aparentemente, do terceiro andar em diante, as pessoas dormem, e isso facilita todo o trabalho do Mensageiro ao chegar até o último andar. Mesmo que Doocy já esteja adormecido, é possível deixar as cartas, as correspondências e os recados para serem pegos durante o dia seguinte, ele é acostumado com esse tipo de conduta. Anyway, claro, é necessário subir todos os andares. Restam seis lances de escadas em direção ao sexto andar. Todas elas, além de pouco iluminadas durante a noite, são em caracol e qualquer queda é considerada letal em certos pontos. Por algumas partes, caso cair, Harkas cairá diretamente em direção ao térreo - ou recepção - do prédio. Uma boa queda direta e será suficiente para matá-lo sem maiores problemas. Quanto aos vizinhos, não é preciso ter desconfiança ou preocupação.
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MensagemAssunto: Re: Cidade de Khyxyx   Ter Jul 23, 2013 11:45 pm

Foi quando Harkas, instintivamente, deduziu que precisaria tomar cuidado extremo ao subir as escadas graças aos buracos presentes por alguns pontos, talvez, ele pensou, construídos de propósito para reter bandidos que desconhecessem o local. Sim, se pensasse na altura, saberia muito bem do mais óbvio, morreria lá embaixo caso fosse escadaria abaixo direto. Prosseguiu a subir. Viu os mesmíssimos detalhes de sempre, até havia decorado a planta interna do prédio com base nos dois primeiros andares. Queria sim correr, mesmo sabendo que atrairia algumas suspeitas. Entretanto, todos andares - que aparentemente foram construídos para serem iguais - teriam a mesma planta básica, com uma janela ao final, e aquelas janelas seriam usadas, logicamente, para que Harkas... Pulasse, independente de qual altura, em direção ao chão lá embaixo. Tão certo da ação, tão convicto... Havia escolhido saltar do lado da floresta do outro lado do prédio. Podia morrer, podia se machucar. Não importava.
Subiu. Chegou ao terceiro andar. Passou rápido por ele. Avançou em direção quarto em rápida sucessão, sem temer. Àquele momento, o Mensageiro havia trocado a bolsa de lugar pelo menos seis vezes, não aguentava mais, aparentemente, carregar tanto peso e estava exausto. Num momento determinado, apoiou-se num dos corrimãos da escada. Era de se presumir que aquelas escadarias, igual a quaisquer outras, deveriam tê-los também. Até chegou a se sentar num dos degraus, queria salvar energia, estava sendo arriscado se esforçar tanto para chegar ao último andar após trinta horas seguidas sem dormir. Harkas era um Mensageiro "detestável" pela maioria das pessoas. Ele não costumava das suas mensageis pessoalmente. Apenas deixava para as pessoas suas malas, desaparecia, não dava sinais de existência por vários dias.
Sim, faria a mesma coisa até mesmo com Doocy, não precisava temê-lo porque pularia e provavelmente acabaria morrendo graças a altura (21 metros, se a recepção possuísse 3 metros). Enquanto relaxou, separou, cuidadosamente, as mensagens, cartas e relatos de que Lyyn havia se firmado sobre a Escócia. Todas as cartas sobre o país, ou das Terras do Norte, haviam sido separadas. Doocy teria um relato completo, com informações valorosas - pensou Harkas. Continuou subindo. Chegou ao quinto andar. Não estava impressionado em ver que nada tinha mudado por ali. Deu um sorrizinho básico. Dali em diante, ninguém mais conseguiria detectá-lo, estava acima da área onde as pessoas costumavam, ainda sim, ser ativas durante aquela hora da noite.

E chegou ao sexto andar. Harkas estava amedrontado consigo mesmo por ter passado tão facilmente por tantos andares evitando a guarda, os moradores e os detectores feitos à mão que teoricamente fariam alguma coisa quando alguém passasse frente a eles. Teria se consagrado herói a si mesmo, mas não teria tempo. Preparou as cartas. Aproximou-se do apartamento esquerdo, local onde Doocy presumidamente morava. Colocou as cartas na porta de entrada. E saiu de mansinho.
O que fazer agora? Não era possível saber. Novamente, pensou em pular já, o que seria arriscado, porque precisaria quebrar uma das janelas fechadas para agir mais rápido. O Mensageiro chegou próximo. Porém, decidiu esperar. Na suspeita, pularia. Sem nenhuma suspeita, ficaria por ali para repor as energias. Ele sabia que não poderia descer mais - se descesse, seria detectado pela segurança.
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MensagemAssunto: Re: Cidade de Khyxyx   Qui Jul 25, 2013 4:24 am

Por motivos óbvios, o último andar era alto, bem decorado e só possuía os mais ricos e reconhecidos seres da cidade e do UK como um geral, já que Doocy, pessoalmente, jamais em sua vida viveria com Nobres sem reconhecimento devido. Sim, parecia ele ser bastante arrogante. Parecia até mesmo ser escrupuloso quando desejasse, embora tais traços, sim, fossem pessoais e quase nunca revelados. Surpreendentemente, costumava não ser uma figura manipuladora, ao menos todas as horas. Aquilo era único pois, diferente dos Lordes que vieram antes, todos manipuladores e possuidores do Estado para si mesmos, Doocy era mais aberto. Sua abertura com relação aos demais era que estava fazendo o país ser uma potência de fato, não aquele ponto confinado em si mesmo, ato político normal aos governantes anteriores, mas certamente ausente para sua geração tanto presente como as futuras. E o silêncio dominava quaisquer lugares do andar. Exceto por uma luz abaixo da porta do Lorde Supremo: ou estava acordado ou havia apenas deixado um lampião bem grande acesso como indicador de problemas caso tentassem assaltá-lo. Harkas pode, de fato, ver que a luz daquela fonte se espalhava até mesmo para ligeiramente fora da porta - um ato incomum - mas ocorrente porque o equipamento estava próximo. Isso conferiu ao Mensageiro uma frestinha de luz adicional.

A janela pela qual parou para descansar estava aberta, não havia sido fechada porque as temperaturas dentro do prédio geralmente eram quentes demais e precisavam duma refrigeração. Ou pelo menos, estavam semi-abertas, mas numa posição pela qual um ser Humano poderia passar tranquilamente. Um Martian provavelmente poderia passar junto, embora com maior esforço, porque eram naturalmente muito mais altos e robustos. Havia uma espécie de chave fundida em prata deixada ao lado, no beiral. Aquela chave era, sim, usada todos os dias pelos habitantes do andar para fechar ou abrir a janelinha conforme a sensação térmica interna ou externa, gerando uma espécie de "ar condicionado" primitivo, mas efetivo, contra calor ou frio intensos. Harkas, caso realmente quisesse saltar, poderia se apossar da chave, abrir a janela um pouco mais e, em seguida, saltar. De preferência, é recomendado que deixe a chave no prédio para não levantar suspeitas de que alguém esteve presente por ali durante alguma hora da noite.

Provavelmente, Doocy está acordado. A hora era equivalente a 20 horas da noite, e ele era de dormir extremamente tarde para os cidadãos de sua época, mas não porque fazia suas magias devidas, e sim porque, assim como quaisquer Reis ou Imperadores, ele via-se na - e perigosa ao mesmo tempo - situação de cuidar duma nação em expansão. Dali, todas as Leis eram redigidas. Todas as Constituições pelas quais os cidadãos eram familiares. Tudo. Não havia uma coisa sequer que não era primeiro planejado por ELE para depois passar - claro - às mãos do Parlamento antes de ser aprovado ou rejeitado. De qualquer forma os sentidos do Mensageiro provavelmente não chegavam a ser aguçados o suficiente para se mostrarem eficientes em dizê-lo quão próximo Doocy estava daquele ponto e o que ele - sim - estava fazendo. Aparentemente, era só entregar e ir embora, mesmo que, sim, uma espécie de campainha existisse e podia ser apertada para chamá-lo à porta. Harkas, muito provavelmente, talvez não escolheria isso...
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MensagemAssunto: Re: Cidade de Khyxyx   Qui Jul 25, 2013 4:26 am

Harkas não escolheria apertar a campainha para não chamar a atenção da vizinhança ao redor, até aquele ponto era preciso manter sua estratégia sem furá-la. Sem o temor que a maioria dos Mensageiros normalmente possuía ao lidar com Doocy, ele se aproximou da porta, deixou as coisas recostadas sobre a mesma sem fazer um som que lhe fosse audível e, ligeiramente, mas sem correr, afastou-se em direção à janelazinha. Sim, viu que estava aberta, agora precisava raciocinar direito sobre o que fazer. Usaria os seus sentidos básicos para pular? Calcularia a altura antes que fizesse uma besteira qualquer? E, principalmente, se lembraria de deixar a chave dentro do prédio antes de saltar ou fugir pelo lado externo? Abriu lentamente aquela janelinha. Conforme abria, sentia um vento tão frio e chato quanto podia esperar. Subiu no beiral, praticamente era impossível ficar de pé naquela coisa. E olhou para baixo. Felizmente, não seria preciso saltar como um maluco - existia uma escadaria que saía diretamente para o lado oposto do prédio, lado pela qual jamais ele seria percebido pela segurança local.
Como Harkas procurava sempre ser lúcido e racional assim como sua espécie, suspirou e sorriu. Não enfrentaria mais os riscos de cair 21 metros em direção às árvores, chão duro, rochas que compunham o solo logo abaixo. A primeira coisa: não esquecer de deixar sua chave no beiral. Foi o que fez. Desceu um nível. Observou. Não haviam janelas dos locais abaixo. Estava, em outras palavras, livre para descer em ritmo normal. Desceu mais uma leva de escadas em direção ao solo. Encontrou um mesanino. Parou por ele. Olhou para o alto: viu o quão elevado estava, calculou que se tivesse pulado, havia quebrado pelo menos as duas pernas, algumas costelas e talvez a coluna vertebral. Isso SE não caísse de cabeça e tivesse fraturas muito piores.
Levou uma das mãos em direção à barba bastante rude. Olhou a direção pelas quais as árvores estavam provindo. Deveria sair da cidade pelo matagal e retornar às Terras do Norte OU precisaria passar pelas ruas da mesma, correr riscos de assalto em certos pontos e ser observado misteriosamente em outros? Decidiu a floresta. Conhecia o quão calmas aquelas madeiras eram, conhecia a total ausência de animais perigosos. Desceu um patamar abaixo, sem problemas. Olhou para baixo. Não viu seguranças porque era a parte externa da cidade, ou o mato. Suspirou Harkas de alívio puro, havia cumprido com suas obrigações sem causar transtornos.

Não precisou ele esperar por nada, Doocy certamente leria suas mensagens e saberia das proveniências. Além do mais, elas haviam sido separadas por ordem de interesse. Maiores e mais importantes cartas estavam à frente da sacola. Cartas menos importantes ao meio e assuntos corriqueiros, como saudações e cumprimentos de Lyyn ao avô, estavam no final. Sim, Harkas acabou conhecendo um pouco da política Inglesa por conviver "demais" com a nobreza responsável por fazê-la e guiá-la, então, obviamente, até entendia alguma coisa. E tinha até mesmo opiniões próprias, coisa raramente vista por outros Mensageiros. Estava ciente das revoluções que aconteceriam em pouquíssimos anos.
E estava amedrontado pelo termo usado. "Revolução". Revolução aparentava ser algo tão severo, tão permanente, tão inédito. Mas seria, conforme as predições dos Nobres e dos políticos. Sua profissão, por exemplo, estaria a fios de acabar, mas Harkas era esperto e conseguiria outras funções sem sombra de dúvidas. Não pensava ainda sobre o que seria após os Mensageiros serem substituídos por outros sistemas de comunicação, apenas se via mediante uma situação heróica naquele exato momento por ter adentrado um prédio de luxo SEM ser visto pela guarda local, nem percebido pelos residentes, nem nada.
Continuou a descer. Sabia muito bem por onde queria passar e onde precisaria chegar se quisesse deixar Khyxyx em direção à Escócia.
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MensagemAssunto: Re: Cidade de Khyxyx   Sex Jul 26, 2013 11:51 pm

Quando, de sopetão, um galho de uma árvore praticamente o derrubou em direção ao piso inferior do edifício. Árvores com galhos mal vistos, compridos e mal cuidados eram muito bem presentes por aquelas florestas, mas certamente, se estivesse realmente atento às coisas, Harkas teria percebido de antemão. Haviam algumas opções pelas quais ele se seguraria: um mastro de madeira à esquerda, um mastro de ferro à direita, uma pequena mas efetiva (e firme) grade em madeira compacta à sua frente e um escorregador não tão bem posicionado logo abaixo, caso caísse de verdade. Não havia vento algum, o ar estava seco e quente. Como há pouquíssimo tempo tinha chovido, não foi surpresa estar pisando em algumas partes molhacentas que faziam certos sons ao serem pisadas. A água estava dividida em poças. As poças nunca eram profundas. Algumas pareciam muito grandes, e outras aparentavam ser menores. Apesar de que, o período escuro impossibilitava Harkas de fazer quaisquer suposições concretas sobre o que estava acontecendo logo acima ou logo abaixo da sua cabeça. Simplesmente era impossível. Mesmo com uma Lua brilhante no alto, o telhado do edifício, construído feito o duma casa, era extenso. As árvores e suas copas cheias de folhas nunca permitiam o chão ser iluminado.

Então, a grosso modo, Harkas precisava chutar o que existia por lá. Sim, existiam morros e gramado relativamente alto misturado aos arbustos tortuosos da região que nasciam como ervas daninhas, se espalhando por todas as regiões sem quase controle algum fora os espinhentos arbustos locais que podiam infringir dolorosas aberturas até mesmo pelos couros dos animais mais resistentes. Flores estranhas, grandes, com períodos de abertura longe da Primavera, suportadas por arbustos médios, compunham também a paisagem - e plantas ainda mais não usuais pareciam dotar o chão. Que não era pantanoso, mas sim, era um pouco molhacento até mesmo fora da época das chuvas - com chuvas - aquilo se transformava - literalmente - em uma lagoa com profundidade até razoável. Podia mesmo abrigar algumas espécies de peixe temporariamente, mas espécies pequenas. As grandes nunca vinham simplesmente porque encalhavam e morriam ou porque havia pouco ar para os peixes maiores. Harkas deveria enfrentar um ambiente PROVAVELMENTE alagado e não apenas molhacento graças às duas semanas passadas com chuvas fortes.

Se pulasse, o pulo seria amenizado pela lagoa. Mas faria um barulho potencialmente alto.
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MensagemAssunto: Re: Cidade de Khyxyx   Sex Jul 26, 2013 11:59 pm

Com as mil possibilidades, Harkas começou a acelerar o passo, até porque não queria, definitivamente, cair ou pular em direção a uma lagoa cujos barulhos iriam, de fato, fazê-lo ser percebido pela vizinhança. Manteve ritmo entre caminhada e corrida. Sabia que aquele piso não faria barulho nenhum e que várias coisas precisariam ser levadas em consideração se ele quisesse ser percebido pelas pessoas que dormiam dentro daquele edifício. Seis andares representavam muita coisa para uma cidade como aquela, embora tenha ouvido falar sobre construções com oito e até mesmo dezesseis. Como já estava no calçado do segundo andar, não precisou se esforçar muito. Nenhuma luz. Nenhuma coisa que pudesse deixá-lo à mercê dos seguranças. Aparentemente nada seria preciso para chamá-los a atenção. Provavelmente estariam dentro do prédio, e dentro do prédio via-se nada mais, nada menos do que a rua, não as partes traserias ou laterais - aquilo havia sido bem calculado por ele antes mesmo de tentar a invasão para entregar, a Doocy, todas as cartas e correspondências precisas sem chamá-lo a atenção.
Saltou dali mesmo em direção ao chão, que estava a uns seis metros ou mais. Ao cair, sim, Harkas torceu drasticamente um dos pés e a dor correu-lhe as veias em segundos. Seria um pouco difícil andar daquela maneira, mas ele conseguiria. Do jeito que saltou - de forma inusitava e próxima aos portões externos - não precisou pisar na lagoa. Esteve em um morrinho. Ao menos possuía um lampião reservado para usar quando em situações de pura escuridão. Acendeu. Observou muito bem qual dos pés havia torcido. Observou que sequer colocar uma das mãos na região era possível, andar seria ainda pior. Como fazer? De que maneira sair dali e procurar as rotas de volta às terras Escocesas? Precisava duma contra-medida contra aquela ferida, embora pudesse, naquele momento, apenas se apoiar contra uma das paredes externas do edifício, torcer para que não o vissem e, em certa segurança, deixar a região.
Levantou-se com dificuldades sim. Um dos pés estava normal e foi posto no chão sem dificuldades. Entretanto o outro... Sentiu dores piores do que perder uma ou as duas das mãos. Ou mesmo um braço. Havia realmente torcido - não apenas forçado. Poderia até ter sofrido uma quebra, embora ao passar as mãos no osso, não conseguisse sentir pontos de quebra. Queria gritar a todos os momentos, mas sabia que precisava ignorar. Muito manco e incapacitado, Harkas procurou pela saída. Ficava ela ali, a dois metros apenas, de onde havia saltado e caído. Pelo menos aquilo... Não teria de caminhar demais apenas para encontrar uma saída em direção às ruas da cidade. A solução: não caminhou usando os dois pés constantemente, mas sim os braços. Ora ou outra precisou se levantar sim, em especial quando na presença dos outros.

Parou por uma das ruas. Era hora de checar como estavam os ferimentos. Viu que um dos pés estava inchado. Já possuía uma bola e que era, literalmente, impossível mexer para os lados. Estava muito roxo também, provavelmente havia estourado todas as pequenas veias do local, torcido os músculos e comprometido alguma espécie de osso pelas quais ele não conhecia. Sem temor, porém, ele permaneceu a caminhar, com dificuldades, em direção ao Porto da cidade. Era a única maneira para retornar à Escócia, e sabia que uma viagem até lá demoraria apenas algumas poucas horas usando aqueles navios com alta tecnologia que estavam sendo empregados por agora.
Certamente Lyyn estranharia, mesmo se assustaria, ao ver aquela ferida em seu pé. Porém ela era Maga --- poderia ajudar em muitas coisas. Possuía poções de cura potentes que produzia por métodos desconhecidos. Se ao menos suportasse as dores incríveis até sua chegada ao Porto e do Porto ao Navio, estava tudo bem. Manco, continuou. Demoraria sim - pessoas machucadas não se movem muito bem - especialmente no pé - mas estava confiante de que chegaria. Suspirava fundo. Os suspiros eram para esconder que estava sentindo dores acima do normal por toda a região do pé direito.
Nunca mais pularia tão alto. Deve ter aprendido a lição...
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MensagemAssunto: Re: Cidade de Khyxyx   Sab Ago 03, 2013 4:29 pm

Harkas poderia checar seus ferimentos a vontade, por aquela hora não existiam muitas pessoas passeando pelas ruas e as que estavam eram apenas recém-chegados das outras terras que compunham o Reino Unido. Uma espécie de vento frio soprava, e fazia com que a sensação de dor, especialmente graças à torção obtida doesse ainda mais que o normal OU do que doeria caso ele tivesse ferido o pé durante um dia quente. Obviamente estava inchado mas não absurdamente - havia apenas poucos minutos que ele havia torcido - e o MÁXIMO a ser visto foi um aumento drástico da cor roxa, quase como um verdadeiro anel roxo, envolvendo a maioria do tornoselo em direção ao calcanhar e planta do pé. Sim, a dor era terrível. Pior do que seria caso ele teria apenas quebrado o osso. Mas ainda sim, se possuísse persistência e calma, conseguiria chegar, embora muito lentamente, no Porto da cidade. Que, àquela altura, ficava a apenas pouquíssimos metros daonde Doocy morava e tinha grande movimentação a qualquer hora do dia. Vinte e cinco metros adiante apenas - uma distância eterna para quem está com o pé torcido gravemente - estavam os portões de entrada ao local. E de lá, Harkas deveria procurar pela primeira embarcação com rumo aos territórios do Sul.

Sim, havia uma frota (10 navios daquela vez) programada para partir em direção à Escócia e Inglaterra por aquele mesmo momento. Potencialmente seriam quinze naus totais com as menores de apoio em caso de ataques por piratas OU quaisquer outras forças locais, mas aquilo tudo não era uma movimentação de guerra, não ainda pelo menos, porque muitas coisas ainda precisavam ser postas em xeque antes que eles saíssem conquistanto mais e mais territórios. Os interesses principais pela Europa estavam se tornando centrais. Muito centrados. Centrados em países cujos desenvolvimentos fossem altos, desprezando todos os países com desenvolvimento baixo e, deliberadamente, ignorando nações recém-feitas até que elas conquistassem certo nível de prestígio. Harkas não conseguiria claro ver quais as naus que estavam preparadas para a saída porque era noite e apenas suas luzes eram percebidas. Mas pela quantidade delas, ele certamente testemunhou: era uma frota, não apenas UM navio. Poderia muito bem ser admitido dentro deles caso passasse calma e despercebidamente pelas tripulações.
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MensagemAssunto: Re: Cidade de Khyxyx   Sab Ago 03, 2013 4:45 pm

Harkas era familiar com as movimentações navais pela região, aprendeu a se infiltrar em quaisquer navios sem maiores problemas, mas daquela vez, sua torção seria um problema que certamente trabalharia, por certo grau, contra um sucesso de retorno às Terras do Sul pelo menos durante aquela noite, pois ele não conseguiria se esquivar muito rápido, tampouco correr (correr estava fora de cogitação), para evitar ser visto por outras pessoas fora os marujos (que geralmente desconheciam outros oficiais). Ele tentaria, sim, e conforme suas capacidades atuais, embarcar num dos navios da frota. Poderia até ser um barco de suporte, mas precisava estar na Escócia ainda por aquele dia. Caso não desse tão certo, ele tentaria se justificar, provavelmente deixariam-no passar ao verem como seu estado físico estava. Arrastando o pé machucado sem forçá-lo e se apoiando onde podia e conseguia, aproximou-se. Uma pequena análise da região o fez confidente de que os cidadãos não pensariam que fosse ladrão ou algo do tipo.
Observou cuidadosamente quaisquer partes do chão - poderia conter buracos, desníveis e quebras fatais. Não poderia torcer ainda mais, ou seria literalmente impossível seguir por chão e a pé até mesmo apenas 19 metros (já havia andado um pouco) aos portões. Mas, de qualquer forma, pensava o Mensageiro sobre quais palavras daria à Lyyn quando visse a governanta face-a-face na Escócia. Seria difícil assumir que conseguiu entregar todas as mensagens mas não conversou diretamente com Doocy. Mas, sem dúvidas, ele estava sem alcance. Estava descansando, como sugerido pelas luzes semi apagadas do apartamento e não atenderia facilmente. A fim de evitar deixá-lo estressado, largou as coisas, saiu pelos lados do edifício, se machucou.
Mas tudo era possível para aquele trabalho e Harkas estava acostumado. Antes já tinha se machucado gravemente pelo menos trinta e cinco vezes pelos seus cálculos, doze pelas quais quase morrera. Independente do quão se machucava, ele era eficiente. Sempre via-se entregando as mensagens - oralmente - ou indiretamente - aos remetentes indicados. Pois agora, independente de ter machucado ou não, havia feito exatamente a mesma coisa. Ele entregou as cartas. Estava feliz que ao menos Doocy, seu senhor indiretamente falando por ser Imperador, leria e saberia das novidades condizentes a própria família. Porém, fora os pensamentos, Harkas se concentrou em chegar ao Porto. Suspirou ao presenciar-se passar pelos portões principais sem ser visto pela guarda...
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MensagemAssunto: Re: Cidade de Khyxyx   Seg Ago 05, 2013 9:56 am

Nenhuma movimentação pela cidade fora passagens esporádicas de pessoas que nada mais, nada menos, haviam apenas chegado até Khyxyx e nada tinham a ver com Harkas, ou o conhecia, porque Mensageiros normalmente ou eram conhecidos ou eram estranhos sem identidade reconhecível, não existiam segundos termos ou coisas do tipo. Entretanto, ele conseguiu passar pelas portas abertas do Porto com sucesso. Não havia sido sequer visto pelos responsáveis locais, provavelmente pela sua capacidade de enganar pessoas - até mesmo machucado. Pois o Porto se mostrou uma área vasta. Várias docas em ordem crescente, vários pontos usados para atracagem, mas todos essencialmente modernos e não rústicos como a maioria dos outros Portos. Deve ter percebido Harkas que todas as dez naus da frota preparada em direção à Bulgária eram forjadas em metais. Que elas não possuíam problemas de identificação por conterem seus respectivos nomes pintados pelos cascos. E que não mais usavam velas para de locomover. E que eram, de fato, navios de guerra resistentes, um dos avanços tecnológicos mais visíveis do UK até então. Porém isso deve ter pouco importado. Harkas deveria chegar a um deles se quisesse voltar para as Terras do Norte naquele dia propriamente dito.

A presença dos barcos de suporte menores não necessariamente poderia representar, ao Mensageiro, uma desgraça ou coisa do tipo. Mesmo consideravelmente menores, barcos como aqueles ainda sim eram grandes o suficiente para acomodarem salas de comando, alguns corredores, alguns poucos decks, uma tripulação até que numerosa e muitos, mas muitos sistemas, usados para mantê-los como as escoltas principais dos grandes navios caso e SE eles sofram danos sérios durante ataques, guerras ou quaisquer outras coisas que poderiam acontecer em pleno mar aberto. Aquelas embarcações menores somavam seis por navio - sessenta para todos - aumentando o tamanho da frota para setenta naus totais, uma frota que seria considerada SÉRIA em dias de combate e guerras. Ainda muito mais SÉRIA por serem embarcações armadas muito igual aos navios maiores. É provável - mas não certo - que as unidades menores tenham um tamanho fixo em setenta metros. E funcionam como suportes principais às embarcações maiores. Harkas poderá optar no que fazer. Eles estão atracados. Logo, acessíveis.

Permanecerão assim por pelo menos mais uma ou duas horas adicionais até que todos os suprimentos tenham sido, com sucesso, descarregados dentro do restante da frota (sim, o trabalho é grande, árduo e, nesse caso, algo a não ser cumprido em menos de oito horas pelos trabalhadores mais competentes).
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Lyyn D. Daqn
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MensagemAssunto: Re: Cidade de Khyxyx   Seg Ago 05, 2013 10:17 am

Harkas estava tentando entender quais eram os motivos de tantas naus e navios de suporte presentes no Porto. Ao mesmo tempo, já havia calculado que levaria um certo tempo para partirem, tempo necessário para que, independente dos ferimentos, ele conseguisse entrar num dos comboios de transporte sem necessariamente ser percebido. Entrando, seria "descarregado" nos compartimentos de carga duma nau-suporte OU navio principal, mas dali, conseguiria subir os decks por si mesmo até uma posição de maiores prestígios. Antes havia conseguido um pedaço de galho alto o suficiente para ser usado de apoio, efetivamente eliminando as necessidades que antes possuiu em se apoiar por todas as paredes da área. Embora fosse noite e a noite fosse uma das mais negras já vistas, ele tinha certeza de que poderia muito bem atravessar o oceano em direção à Escócia para mostrar contas do serviço realizado. Prometia ser sincero caso fosse perguntado sobre as reações de Doocy dizendo que, de fato, sequer havia se encontrado frente-a-frente com ele, mas que havia deixado as cartas, avisos e mensagens no endereço certo. Lyyn iria até achar estranho. Mas ela raramente era nervosa.
A movimentação naquela região da cidade estava altíssima e isso contrastava de maneira gritante com as áreas urbanas propriamente ditas, que estavam silenciosas, pouco visíveis e mal iluminadas. Trabalhadores pareciam passar por todos os seus lados. Homens com aparência melhores, possivelmente trajando alguma espécie de uniforme especial, eram vistos aos bandos. Estavam enfileirados, aquilo veio na mente do Mensageiro como sendo uma espécie de apresentação ou despedida final da cidade em direção às Terras ao Sul - dadas as presenças em bandos de marinheiros consideravelmente jovens, cujas viagens, de fato, pareciam ser as primeiras dentro de uma frota daquele tamanho. Harkas observou mais. E entendeu mais ou menos a situação que se passava.
Já que estava havendo um desfile, era momento de agir. De agir, pois, sem conhecer quais embarcações pegar, as coisas seriam apenas piores. Apoiou-se por um momento sobre o pé esquerdo, que não estava machucado, e apoiou cuidadosamente o pé direito, ferido e roxo, sobre a própria perna. Levou uma das mãos à boca, era preciso pensar direito como agiria perante aqueles homens todos. De Força Naval, aquela parecia ser a maior de longe - ao menos já vista por ele. Esperava que não estavam planejando atacar qualquer coisa, mas mesmo atacando, seria quase impossível Harkas morrer ou ser ferido graças à forma de construção tecnológica daqueles navios todos.

O (ou A, porque eram permitidos homens e mulheres sem restrições) Comandante da frota não era visível, provavelmente estava dentro da nau-comandante esperando as formações finais de viagem se formarem, e isso requeriria que aquele bando de marinheiros fosse em direção aos navios específicos o quanto antes. As duas horas, pensou Harkas, seriam mais para levar suprimentos em direção às embarcações. Setenta delas? Setenta... Eram tantas e tão diversas que, caso fosse dia, ele estaria tendo uma vista nunca antes presenciada, nem mesmo durante os períodos de guerra anteriores que conhecia. Resolveu que era hora de ir logo, ou ficaria para trás. Não sabia quanto tempo os marinheiros ficariam fora das naus realizando quaisquer atividades externas, mas sabia que precisava pensar em si mesmo. O restante? Que passasse apenas despercebido.
Que era impossível se passar por oficial era, e isso era sabido desde muito tempo, porque as Forças Navais conheciam muito bem quais eram seus homens: haviam registro para cada um dos navios sem excessões. Passar por um deles requeria mais do que suas já avançadas habilidades de esconderijo exigiam. Qualquer coisa, como esclarecido em sua mente antes, conseguiria passar conversa e convencer que precisaria retornar às terras principais do UK àquele mesmo dia. Manteve atenções. Embora não queria, conseguiu só se manter focado ao pessoal que passava constantemente aos lados, com suprimentos tão diversos que nem mesmo Harkas e seu conhecimento vasto com a área conseguiria saber o que cada um representava exatamente.
E assim continuou. Pelo tempo que não fosse visto, estaria normal.
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